Na semana anterior ao carnaval, enquanto todo mundo se
preparava para a festa no Brasil, a ADIT estava realizando sua primeira missão
técnica do ano, desta vez em Portugal. O nosso objetivo era estudar a
experiência portuguesa no desenvolvimento de comunidades planejadas.
Para quem não sabe, Portugal desenvolveu um grande know-how
em bairros e resorts planejados, com alguns deles sendo reconhecidos
internacionalmente, com Quinta do Lago, Vilamoura, Vale do Lobo e o Parque das
Nações.
Em 2006, a ADIT já tinha realizado uma missão técnica ao
Algarve para conhecer alguns desses empreendimentos, mas este ano nós ampliamos o escopo da missão para conhecer as
experiências portuguesas no desenvolvimento de bairros residenciais e em
resorts integrados desenvolvidos fora do Algarve.
Iniciamos nossa visita por Lisboa, onde visitamos o bairro
planejado Alta de Lisboa, desenvolvido pelo milionário Stanley Ho, rei dos
cassinos em Macau. Uma experiência muito interessante de realocação de
favelados não para outras regiões, mas para dentro da própria área do
empreendimento, integrando-os aos novos moradores de classe média.
Também tivemos a oportunidade de conhecer a experiência do
já famoso e bem sucedido Parque das nações, belo caso de regeneração urbana,
onde um local totalmente degradado conseguiu ser convertido em uma área de
grande atratividade para se viver. É um estudo obrigatório para quem se
interessa pela matéria.
O Tagus Park também é um belo exemplo a ser seguido de
criação de um parque tecnológico, onde o Poder Público, bancos, universidades e
empresas de tecnologia conseguiram criar o Silicon
Valley europeu.
Em Belas Clube de Campo tivemos a oportunidade não só de
conhecer este bairro planejado, mas de aprender um pouco mais com a experiência
da família Jordan no desenvolvimento de comunidades planejadas. Fomos recebidos
por Gilberto, hoje à frente dos negócios da família. Seu pai André Jordan, é um
brasileiro que fez história em Portugal ao desenvolver Quinta do Lago e
regenerar Vilamoura. O Brasil precisa conhecer sua história melhor.
Na região de Óbidos pudemos visitar três resorts planejados com
foco distintos. Enquanto Quinta de Óbidos oferece grandes lotes e casas de
estilo tradicional e um centro hípico de classe mundial, seu vizinho, Bom
Sucesso Design Resort, teve sucesso em se apoiar em arquitetos-estrelas. Sua
proposta é que os clientes morem em obras de arte dentro de um campo de golfe. Já
Plaia de Rey é um resort consolidado ancorado em um excelente campo de golfe e
um hotel cinco estrelas, além do diferencial de estar localizado à beira-mar.
Muito interessante ver as diferentes estratégias de
posicionamento em uma mesma região, atingindo diferentes mercados. Boa lição.
Indo para o sul, passamos por Troia, um destino de final de
semana e férias dos Lisboetas que na fase atual está sendo desenvolvido pelo
grupo Sonae. Bom exemplo de redução de adensamento em relação ao projeto
inicial de 40 anos atrás.
Já no Algarve, mas uma vez aprendemos muito com as
experiências de Vilamoura, Vale do Lobo e Quinta do Lago. Cada um com seu
posicionamento de mercado, são experiências fantásticas de desenvolvimento e
gerenciamento de comunidades planejadas. Todos são fortemente ancorados no
golfe, já que o Algarve é um dos grandes destinos de golfe do mundo.
Outro ponto forte da viagem foi o seminário que realizamos em
Lisboa onde conseguimos reunir a nata dos empresários e executivos ligados às
comunidades planejadas em Portugal. Experiência muito enriquecedora, apesar do
curto espaço de tempo. Poderíamos ter passado dias ali ouvindo a experiência
dos nossos amigos portugueses, até porque não tem valor conversarmos e
aprendermos com a experiência de pessoas que estão a 10, 15, 20, 30 e até 40
anos desenvolvendo e gerenciando comunidades planejadas.
Porém, tão rico quanto os nossos aprendizados com os
portugueses, foi o aprendizado como nossos companheiros de viagem. O grupo era
ótimo. Tivemos uma grande sorte e isso fez toda a diferença para o sucesso da
viagem.
Nosso grupo era formado por empresários e executivos
experientes de várias regiões do País. Tivemos pessoas de São Paulo, Alagoas,
Paraná, Goiás, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Ceará e Santa Catarina. Eram
loteadores, proprietários de terra, master
developers e incorporadores com visões complementares e experiências
diferentes. Só a convivência com eles já teria valido a viagem.
Tenho convicção de
que o desenvolvimento de comunidades planejadas é o futuro para o
desenvolvimento urbano e turístico do Brasil. Por isso, continuaremos nossa
missão de educar, dar informações, conectar e gerar negócios entre os players desse setor no Brasil e no
mundo.
Em 2012 teremos várias outras oportunidades de fazê-lo, a
começar pelo ADIT Juris em março, em Vitória/ES, onde discutiremos os aspectos
jurídicos desse tipo de empreendimento. Em abril, teremos o webinar sobre
Placemaking, ou seja, como gerar senso de comunidade e criar vida em empreendimentos
e bairros. Em maio teremos a Missão Técnica para a Flórida, onde faremos um
curso sobre comunidades planejadas na Universidade de Miami, visitaremos vários
empreendimentos e participaremos do Congresso do Novo Urbanismo. Imperdível.
Em junho teremos o ADIT Invest, focado em business e colocando frente-a-frente empresários
e investidores, enquanto no segundo semestre será a vez do Complan 2012, nosso
seminário anual sobre comunidades planejadas, que este ano será realizado em
Sauípe. Fecharemos o ano com mais uma missão técnica, desta vez para o México.
Tenho certeza de que muitos frutos resultarão dessas
iniciativas e que muitos erros poderão ser evitados pelos empresários
brasileiros e que estaremos dando uma importante cota de contribuição para a
expansão ordenada e com qualidade de vida das cidades brasileiras. Isso é o que nos move nessa marcha nem sempre
fácil, mas muito gratificante.